Abrasel 40 anos

Contratação inclusiva na prática

Sugestão de foto: equipe diversa trabalhando junta na cozinha de um restaurante: uma cozinheira 50+, um jovem com síndrome de Down e uma pessoa em cadeira de rodas no balcão

Cartilha Abrasel

Contratação inclusiva na prática

Como recrutar, selecionar, integrar e desenvolver pessoas com deficiência, profissionais 50+ e pessoas neurodivergentes em bares e restaurantes

Um guia para ampliar oportunidades e formar equipes mais diversas e preparadas.

16 capítulos26 min de leitura
Começar a leitura

APRESENTAÇÃO

Talentos existem, as oportunidades nem sempre.

Encontrar e manter bons profissionais é um desafio frequente para bares, lanchonetes, padarias, cafés e restaurantes.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas com capacidade e interesse em trabalhar continuam encontrando barreiras para participar de processos seletivos ou desenvolver uma carreira. Entre elas estão pessoas com deficiência, profissionais neurodivergentes e trabalhadores mais velhos.

A inclusão profissional não significa contratar alguém por caridade, diminuir critérios ou ignorar as necessidades da operação. Significa retirar obstáculos desnecessários, avaliar competências com objetividade e oferecer condições para que cada profissional realize seu trabalho.

Este guia apresenta orientações práticas para:

A proposta é ajudar o empreendedor a começar com o que está ao seu alcance, sem transformar a inclusão em um processo distante ou complicado.

Capítulo 01Olhar

Sugestão de foto: gestora conversando com uma candidata no salão vazio, antes da abertura

Inclusão começa pela mudança de olhar

Uma contratação inclusiva avalia o profissional por suas competências, experiências, interesses e possibilidades de desenvolvimento.

Isso exige uma mudança importante: deixar de perguntar apenas "o que esta pessoa não consegue fazer?" e começar a investigar:

  • Quais atividades ela realiza com autonomia?
  • Quais competências possui?
  • Que tipo de orientação facilita seu trabalho?
  • Existe alguma barreira que a empresa pode eliminar?
  • A exigência feita pela empresa é realmente essencial para a função?

Muitas das dificuldades atribuídas a uma pessoa são, na verdade, provocadas por barreiras físicas, comunicacionais, tecnológicas ou comportamentais.

Uma escada pode impedir a circulação de um profissional com deficiência física. Uma orientação ambígua pode gerar dificuldade para uma pessoa que precisa de maior previsibilidade. Um anúncio com a expressão "perfil jovem" pode afastar trabalhadores experientes antes mesmo da seleção.

Por isso, inclusão não começa com a assinatura do contrato. Ela começa quando a empresa analisa seus próprios processos.

INCLUSÃO NÃO É

  • Diminuir o padrão de qualidade
  • Ignorar requisitos técnicos
  • Contratar sem avaliar competências
  • Superproteger o colaborador
  • Tratar todos os integrantes de um grupo como se fossem iguais

INCLUSÃO É

  • Garantir igualdade de oportunidades
  • Avaliar requisitos relacionados ao trabalho
  • Oferecer acessibilidade
  • Fazer adaptações razoáveis
  • Respeitar a autonomia
  • Reconhecer características individuais

Capítulo 02Perfis

Entendendo os diferentes perfis profissionais

Uma das primeiras etapas para contratar de forma mais inclusiva é compreender quem são os candidatos que podem fazer parte da sua equipe e quais barreiras costumam enfrentar durante o recrutamento, a seleção e o dia a dia de trabalho.

Conhecer melhor essas realidades ajuda a reduzir preconceitos, ampliar o acesso a talentos e criar processos de contratação mais eficientes para o negócio.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

No ambiente profissional, podemos encontrar pessoas com deficiência:

  • Física
  • Auditiva
  • Visual
  • Intelectual
  • Psicossocial
  • Múltipla
Sugestão de foto: retrato de um garçom com deficiência visual sorrindo no salão
A deficiência é uma das características de uma pessoa. Ela não resume sua experiência, capacidade ou identidade profissional.

PESSOAS COM MOBILIDADE REDUZIDA

Sugestão de foto: profissional em cadeira de rodas circulando por um corredor livre entre as mesas do salão

Mobilidade reduzida não é sinônimo de deficiência. A condição pode ser permanente ou temporária e afetar a circulação, a coordenação ou a realização de determinadas atividades.

O ambiente e a organização do trabalho devem ser observados individualmente, considerando segurança, autonomia e características da função.

A legislação assegura a colocação competitiva da pessoa com deficiência em igualdade de oportunidades, com acessibilidade, tecnologia assistiva e adaptação razoável no ambiente de trabalho.

NEURODIVERGÊNCIA E PROFISSIONAIS MAIS VELHOS

PESSOAS NEURODIVERGENTES

Neurodivergência é um termo amplo utilizado para falar de formas de funcionamento neurológico que diferem do padrão mais comum. Entre os exemplos está o Transtorno do Espectro Autista, conhecido como TEA.

O espectro autista se manifesta de maneiras diferentes. Por isso, não se deve presumir que todas as pessoas autistas possuem as mesmas habilidades, sensibilidades ou necessidades.

No trabalho, uma pessoa autista pode se beneficiar de:

  • Orientações objetivas
  • Rotinas previsíveis
  • Antecipação de mudanças
  • Redução de estímulos excessivos
  • Instruções organizadas por etapas
  • Possibilidade de esclarecer dúvidas

Essas medidas também podem melhorar a organização do trabalho para toda a equipe.

PROFISSIONAIS 50+ E PESSOAS IDOSAS

Sugestão de foto: cozinheira 50+ finalizando pratos na praça quente

A expressão profissionais 50+ é utilizada para falar de diversidade etária no trabalho. Já o termo pessoa idosa segue a definição legal aplicável às pessoas com 60 anos ou mais.

Profissionais mais velhos podem oferecer experiências, habilidades e conhecimentos acumulados ao longo de diferentes trajetórias. Ainda assim, muitos são afastados de processos seletivos por termos como "perfil jovem", "recém-formado" ou "energia para acompanhar a equipe".

Idade não deve ser utilizada como atalho para presumir produtividade, disposição, capacidade tecnológica ou facilidade de aprendizagem. Esses aspectos devem ser avaliados individualmente e de forma relacionada à função.

Capítulo 03Mitos

Sugestão de foto: cozinheiro autista trabalhando em dupla com um colega na linha de montagem da cozinha

Mitos que afastam bons candidatos

"PESSOA COM DEFICIÊNCIA PRODUZ MENOS"

A produtividade não pode ser determinada pela existência de uma deficiência. Ela depende da compatibilidade entre a pessoa, a função, os recursos disponíveis, a organização do trabalho e a qualidade da gestão.

"TODA ADAPTAÇÃO É CARA"

Algumas mudanças exigem investimento estrutural, mas outras são simples, como reorganizar uma bancada, apresentar instruções por escrito, ajustar a comunicação ou definir uma referência para dúvidas.

A necessidade deve ser analisada com a pessoa, sem suposições.

"PESSOAS AUTISTAS NÃO TRABALHAM EM EQUIPE"

O autismo é um espectro. Não existe um único padrão de comunicação, interação ou desempenho. A avaliação deve considerar o indivíduo e os requisitos reais da atividade.

"PROFISSIONAIS MAIS VELHOS NÃO LIDAM BEM COM TECNOLOGIA"

A idade, isoladamente, não informa o nível de domínio tecnológico de alguém. A empresa deve verificar conhecimentos e oferecer treinamento quando necessário, como faria com qualquer novo colaborador.

"TRATAR TODOS DA MESMA FORMA NEM SEMPRE É O IDEAL"

Igualdade de oportunidades pode exigir recursos ou ajustes diferentes. Dar a todos exatamente a mesma condição, mesmo quando existe uma barreira, pode manter a desigualdade.

"A PESSOA PRECISA CONTAR TUDO SOBRE SUA CONDIÇÃO"

O processo seletivo deve se concentrar na função e nos recursos necessários para sua realização. Informações pessoais e de saúde não devem ser transformadas em curiosidade ou constrangimento.

Capítulo 04Função

Antes de abrir a vaga: analise a função

A contratação começa antes da divulgação. O primeiro passo é compreender o trabalho que precisa ser realizado.

LISTE AS ATIVIDADES

Descreva o que a pessoa fará no dia a dia.

SEPARE O ESSENCIAL DO DESEJÁVEL

Pergunte se cada requisito é indispensável.

"Boa comunicação verbal", por exemplo, não deve ser exigida automaticamente quando a atividade pode ser desempenhada por outras formas de comunicação.

OBSERVE O AMBIENTE

Analise:

  • Entrada e circulação
  • Banheiros e áreas de apoio
  • Altura dos equipamentos
  • Iluminação e ruído
  • Sinalização
  • Rotas de emergência
  • Comunicação entre os setores
  • Transporte e acesso ao local

IDENTIFIQUE POSSÍVEIS APOIOS

Considere se a função pode demandar:

  • Tecnologia assistiva
  • Mudança na disposição dos objetos
  • Comunicação escrita ou visual
  • Treinamento adaptado
  • Flexibilidade na forma de executar uma tarefa
  • Apoio inicial de um colega

A análise correta evita a criação de exigências genéricas e ajuda a empresa a selecionar com base no trabalho real.

Capítulo 05Anúncio

Sugestão de foto: celular com anúncio de vaga aberto sobre o balcão

Como escrever um anúncio inclusivo

O anúncio é o primeiro sinal de como a empresa trata as pessoas.

Um texto confuso, incompleto ou discriminatório pode afastar candidatos antes mesmo do contato com o estabelecimento.

EVITE

  • Perfil jovem
  • Boa aparência
  • Sem limitações
  • Pessoa normal
  • Idade máxima
  • Recém-formado, quando isso não for indispensável
  • Excelente comunicação verbal, quando outras formas forem possíveis
  • Disponibilidade total, sem informar jornada
  • Capacidade física genérica, sem descrever a atividade

INFORME

  • Nome da função
  • Principais atividades
  • Requisitos essenciais
  • Jornada e escala
  • Local de trabalho
  • Tipo de contratação
  • Remuneração ou outra forma de apresentação dessa informação (salário, piso da categoria)
  • Benefícios
  • Forma de candidatura
  • Recursos de acessibilidade disponíveis
  • Canal para solicitar adaptação no processo seletivo

USE LINGUAGEM DIRETA

Prefira frases curtas e instruções objetivas:

Em vez de "buscamos talentos altamente dinâmicos e resilientes para nosso ambiente acelerado"

use "procuramos uma pessoa organizada, responsável e disponível para trabalhar no turno da noite"

O anúncio da vaga deve apresentar título, atividades, requisitos, local, horário, modalidade de contratação, benefícios e canal de candidatura.

MODELO DE ANÚNCIO INCLUSIVO

VAGA: AUXILIAR DE COZINHA

Local de trabalho: [bairro e cidade]
Jornada: [dias e horários]
Tipo de contratação: [informar]
Remuneração: [informar ou como será apresentada]
Benefícios: [listar]

Principais atividades

  • Apoiar o preparo de alimentos
  • Separar ingredientes e utensílios
  • Organizar a estação de trabalho
  • Realizar a limpeza conforme os procedimentos do estabelecimento
  • Apoiar a equipe durante a operação

Requisitos essenciais

  • Organização
  • Responsabilidade
  • Disponibilidade para a jornada informada
  • Interesse em aprender
  • Capacidade de seguir orientações de segurança e higiene

Diferencial

  • Experiência anterior em cozinha

A vaga está aberta a pessoas com deficiência, profissionais neurodivergentes e candidatos de diferentes idades.

Se você precisar de algum recurso de acessibilidade para participar do processo seletivo, informe pelo canal de candidatura.

Como se candidatar:
Envie [currículo, mensagem ou formulário] para [contato].

Os trechos sublinhados são para você trocar pelas informações da sua vaga.

CHECKLIST ANTES DA PUBLICAÇÃO

Capítulo 06Canais

Onde encontrar candidatos

Divulgar sempre nos mesmos canais tende a trazer os mesmos perfis.

Para ampliar o alcance:

  • Use as redes sociais do estabelecimento
  • Consulte serviços públicos de emprego
  • Estabeleça contato com centros de reabilitação
  • Procure entidades de apoio à pessoa com deficiência
  • Busque organizações ligadas à empregabilidade de pessoas autistas
  • Divulgue em associações comunitárias
  • Converse com escolas técnicas
  • Procure redes de profissionais 50+
  • Utilize grupos locais de emprego
  • Incentive indicações, sem transformar a indicação em único caminho

FAÇA PARCERIAS DURADOURAS

Não procure essas instituições apenas quando surgir uma vaga urgente.

Sugestão de foto: gestor visitando uma instituição de formação profissional

Apresente o negócio, explique as funções existentes e conheça os trabalhos de formação realizados. Uma parceria contínua facilita a identificação de candidatos e a preparação dos gestores.

Capítulo 07Triagem

Sugestão de foto: mãos organizando fichas de candidatos sobre uma mesa

Triagem acessível e objetiva

A triagem deve verificar a relação entre o candidato e os requisitos da vaga, sem usar características pessoais como atalho para a decisão.

PASSO 1: CRIE CRITÉRIOS

Exemplo:

CritérioEssencialDesejável
Disponibilidade para o turno informadoSim—
Conhecimento de higiene e organização—Sim
Experiência na função—Sim
Interesse em aprenderSim—
Possibilidade de chegar ao localSim—

PASSO 2: ACEITE FORMAS ACESSÍVEIS DE CANDIDATURA

Nem todo bom profissional terá um currículo formal bem estruturado.

Quando possível, permita:

  • Currículo
  • Áudio
  • Vídeo
  • Formulário simples
  • Mensagem escrita
  • Apoio de uma instituição parceira

PASSO 3: NÃO PRESUMA INCAPACIDADE

Uma informação sobre deficiência, idade ou neurodivergência não deve provocar descarte automático.

A pergunta correta é: o candidato atende aos requisitos essenciais ou pode atendê-los com uma adaptação razoável?

PASSO 4: ORGANIZE AS INFORMAÇÕES

Registre:

  • Critérios atendidos
  • Pontos a verificar
  • Recursos solicitados
  • Próxima etapa
  • Retorno enviado

O uso de critérios objetivos e planilha de comparação é recomendado para reduzir decisões baseadas somente em impressão pessoal.

Capítulo 08Entrevista

Como conduzir uma entrevista inclusiva

A entrevista serve para conhecer competências, experiências e condições relacionadas ao trabalho.

ANTES DA CONVERSA

  • Informe data, horário, local e duração aproximada
  • Explique como será a etapa
  • Pergunte se o participante precisa de acessibilidade
  • Escolha um espaço com menos ruído
  • Garanta circulação e assento adequados
  • Permita acompanhante ou intérprete quando necessário
  • Prepare perguntas relacionadas à vaga

DURANTE A ENTREVISTA

  1. Fale diretamente com o candidato
  2. Apresente-se e explique a função
  3. Faça uma pergunta de cada vez
  4. Use linguagem objetiva
  5. Dê tempo para a resposta
  6. Não complete frases sem necessidade
  7. Confirme se a pergunta foi compreendida
  8. Explique as etapas seguintes

NÃO CONFUNDA COMPORTAMENTO COM COMPETÊNCIA

A pessoa pode:

  • Fazer pouco contato visual
  • Utilizar uma forma alternativa de comunicação
  • Precisar de mais tempo para responder
  • Demonstrar nervosismo
  • Pedir que uma pergunta seja repetida
Sugestão de foto: entrevista tranquila em mesa do salão, candidato neurodivergente e gestora frente a frente

Essas situações não devem ser interpretadas automaticamente como falta de interesse, educação ou capacidade.

A orientação geral para a convivência é tratar a pessoa com respeito, não subestimar, não superproteger, dirigir-se diretamente a ela e perguntar como prefere receber auxílio.

ROTEIRO DE ENTREVISTA

  1. 1. ACOLHIMENTO

    Obrigado por participar. Vou explicar brevemente a vaga e depois fazer algumas perguntas sobre sua experiência e forma de trabalhar.

  2. 2. EXPERIÊNCIA

    • Conte sobre atividades que você já realizou.
    • Você já trabalhou em bar, restaurante, padaria ou estabelecimento semelhante?
    • Quais tarefas tinha mais facilidade em executar?
    • Que tipo de atividade gostaria de aprender?
  3. 3. SITUAÇÕES DE TRABALHO

    • Como você organiza suas tarefas?
    • O que faz quando não entende uma orientação?
    • Conte uma situação em que precisou colaborar com outra pessoa.
    • Como prefere receber instruções ou feedback/retorno?
  4. 4. REQUISITOS DA FUNÇÃO

    • Você possui disponibilidade para os horários informados?
    • Existe algum recurso ou ajuste que ajudaria você a realizar as atividades?
    • Há alguma etapa do processo seletivo que precise ser adaptada?
  5. 5. APRESENTAÇÃO DA VAGA

    Explique:

    • Atividades
    • Jornada
    • Remuneração
    • Benefícios
    • Uniforme
    • Rotina
    • Condições do ambiente
    • Etapas seguintes
  6. 6. ENCERRAMENTO

    Você gostaria de fazer alguma pergunta sobre a vaga ou sobre o ambiente de trabalho?

EVITE PERGUNTAS SOBRE

  • Religião
  • Orientação sexual
  • Planejamento familiar
  • Diagnósticos sem relação com a atividade
  • Vida pessoal sem relação com a vaga
  • Suposições sobre aposentadoria
  • "Cura" ou causas de uma condição
  • Capacidade antes de apresentar a atividade

O roteiro da entrevista deve permanecer relacionado à experiência, às competências, à disponibilidade e às condições objetivas da vaga.

Capítulo 09Testes

Sugestão de foto: candidata fazendo teste prático de montagem de prato, com a chef observando

Testes práticos: avaliar o trabalho real

Um teste prático pode oferecer condições mais justas de avaliação, especialmente quando o currículo ou a entrevista não demonstram todo o potencial do candidato.

O teste deve:

  • Estar relacionado à função
  • Ter instruções claras
  • Respeitar a segurança
  • Ser aplicado em condições equivalentes
  • Permitir os recursos de acessibilidade necessários
  • Ter critérios definidos previamente
  • Não substituir trabalho remunerado da operação

EXEMPLOS

COZINHA

Atividade: organizar ingredientes e preparar um item simples.
Observar: higiene, sequência, organização, atenção e uso dos utensílios.

ATENDIMENTO

Atividade: simular a recepção e o registro de um pedido.
Observar: clareza, atenção, registro das informações e tratamento respeitoso.

CAIXA

Atividade: simular uma conta e uma forma de pagamento.
Observar: atenção, organização, uso do sistema ou procedimento e conferência.

LIMPEZA

Atividade: demonstrar a preparação de materiais e a limpeza de uma área.
Observar: sequência, segurança, uso dos produtos e organização.

FICHA DE AVALIAÇÃO E DECISÃO

Avalie todos os candidatos pelos mesmos critérios, considerando as adaptações necessárias para garantir participação justa.

Acesse o documento para impressão aqui

FICHA

Nome:Vaga:Data:

CritérioNota de 1 a 5Evidência observada
Conhecimento da atividade
Organização
Atenção às orientações
Segurança e higiene
Cooperação
Interesse em aprender
Disponibilidade compatível

RECURSO OU ADAPTAÇÃO IDENTIFICADA

PONTOS QUE EXIGEM TREINAMENTO

DECISÃO

  • Avançar
  • Manter no banco de candidatos
  • Não avançar

Justificativa relacionada aos critérios:

CUIDADO COM O "ENCAIXE CULTURAL"

A expressão "não combina com a equipe" pode esconder preconceitos.

Em vez de procurar alguém parecido com os profissionais atuais, avalie comportamentos objetivos:

  • Respeita colegas?
  • Segue regras de segurança?
  • Aceita orientação?
  • Demonstra responsabilidade?
  • Consegue colaborar na execução das atividades?

A comparação estruturada de candidatos, com critérios previamente definidos, reduz decisões por impulso ou apenas por "feeling".

Capítulo 10Adaptações

Adaptações e apoios necessários

Não existe uma lista única de adaptações para cada deficiência ou condição.

A melhor abordagem é perguntar: o que ajudaria você a executar esta atividade com autonomia e segurança?

POSSIBILIDADES

COMUNICAÇÃO

  • Instruções escritas
  • Imagens ou demonstrações
  • Linguagem simples
  • Um pedido por vez
  • Legendas ou interpretação em Libras
  • Antecipação de mudanças

ORGANIZAÇÃO

  • Checklist de abertura ou fechamento
  • Rotina visual
  • Identificação de materiais
  • Tarefas divididas em etapas
  • Referência clara para dúvidas

AMBIENTE

  • Circulação desobstruída
  • Ajuste da altura de bancada ou equipamento
  • Redução de estímulos em determinadas atividades
  • Mudança na posição da estação
  • Equipamento de apoio ou tecnologia assistiva

GESTÃO

  • Período inicial acompanhado
  • Feedback mais frequente
  • Tempo para aprendizagem
  • Revisão do método de treinamento
  • Definição clara de responsabilidades

Acessibilidade no dia a dia: mudanças simples e aplicáveis

Organizado por nível de investimento — do custo zero ao baixo custo:

Custo zero ou quase zero

  • Reorganizar o espaço: desobstruir corredores para passagem de cadeiras de rodas ou muletas (largura mínima: 90 cm)
  • Comunicação visual: escrever os cardápios com letras maiores e contraste adequado (fundo claro, letra escura)
  • Redução de ruído: criar horários de menor movimento para funcionários mais sensíveis a estímulos (ou identificar esse horário naturalmente no negócio)
  • Rotina escrita: afixar na cozinha ou na área de trabalho o fluxo do dia em formato visual simples — ajuda a todos, especialmente neurodivergentes
  • Tom de voz e comunicação: treinar a equipe para falar de frente, devagar e com clareza (beneficia surdos, idosos e qualquer pessoa)

Baixo custo

  • Banco de trabalho regulável ou apoio para sentar: garçons e atendentes idosos ou com dificuldade de locomoção podem usar banquinhos altos durante o serviço — uma adaptação simples que reduz fadiga
  • Tapetes antiderrapantes e pisos nivelados: reduzem riscos de queda — beneficiam idosos, gestantes e qualquer trabalhador
  • Sinalização tátil básica: fitas no chão para indicar áreas de circulação
  • Cardápio digital ou com QR code: facilita leitura por pessoas com baixa visão usando o zoom do celular
  • Uniforme adaptável: evitar botões pequenos, cintas apertadas, calçados de sola lisa — ou deixar flexível dentro de um padrão de cor

Comunicação e tecnologia assistiva acessível

  • Aplicativos gratuitos de comunicação aumentativa (como o LetMeTalk, em Android) para pessoas com dificuldade de fala
  • Hand Talk (versão gratuita limitada) para tradução em Libras via aplicativo — útil para atendimento a clientes surdos
  • Cardápio com descrição em áudio via QR code (pode ser gravado pelo próprio empreendedor com o celular)

A Lei Brasileira de Inclusão prevê acessibilidade, recursos de tecnologia assistiva e adaptação razoável na colocação competitiva da pessoa com deficiência.

Capítulo 11Integração

Sugestão de foto: primeiro dia: colega apresentando a cozinha a um novo funcionário com deficiência auditiva

Integração: começar bem para permanecer

O primeiro dia deve reduzir incertezas e ajudar o profissional a compreender a operação.

ANTES DA CHEGADA

NO PRIMEIRO DIA

  1. Apresente o estabelecimento
  2. Mostre entradas, saídas e áreas de apoio
  3. Explique a função
  4. Apresente colegas e responsáveis
  5. Demonstre as tarefas
  6. Entregue instruções em formato acessível
  7. Explique horários, pausas e regras
  8. Informe como pedir ajuda
  9. Combine o acompanhamento inicial

NA PRIMEIRA SEMANA

  • Observe se as instruções estão claras
  • Identifique barreiras não percebidas anteriormente
  • Ajuste o treinamento
  • Converse com o profissional
  • Registre os combinados
  • Evite exposição diante da equipe

Uma pessoa de apoio não deve fazer o trabalho no lugar do novo colaborador. Sua função é orientar, responder dúvidas e facilitar a adaptação inicial.

A Radar da Inclusão registrou que:

24%dos participantes não tinham uma única pessoa de apoio na empresa

35%afirmaram não ter amigos no trabalho,

indicando fragilidades no pertencimento cotidiano.

Capítulo 12Treinamento

Treinamento da equipe e da liderança

Sugestão de foto: roda de conversa rápida com a equipe antes do turno
Não basta contratar um profissional e esperar que ele se adapte sozinho a um ambiente despreparado.

O treinamento precisa alcançar:

  • Proprietários
  • Gerentes
  • Lideranças de turno
  • Equipe administrativa
  • Cozinha
  • Salão
  • Caixa
  • Limpeza
  • Demais trabalhadores

CONTEÚDO MÍNIMO

1. CONCEITOS

  • Inclusão
  • Acessibilidade
  • Capacitismo
  • Etarismo
  • Neurodiversidade
  • Adaptação razoável

2. COMUNICAÇÃO

  • Falar diretamente com a pessoa
  • Perguntar antes de ajudar
  • Não infantilizar
  • Utilizar instruções claras
  • Respeitar diferentes formas de comunicação

3. CONVIVÊNCIA

  • Evitar piadas e comentários
  • Não expor diagnósticos
  • Não tocar em equipamentos de apoio sem autorização
  • Respeitar autonomia e privacidade
  • Encaminhar conflitos ao responsável

4. GESTÃO

  • Distribuir tarefas com clareza
  • Dar feedback sobre comportamentos observáveis
  • Corrigir sem constranger
  • Acompanhar o desenvolvimento
  • Agir diante de discriminação

Os participantes da Radar da Inclusão foram consultados sobre a importância de atividades de sensibilização e treinamento para ambientes acolhedores.

MODELO DE TREINAMENTO RÁPIDO

DURAÇÃO SUGERIDA: 30 MINUTOS

  1. BLOCO 1: POR QUE FALAR DE INCLUSÃO

    Explique que a diversidade já está presente entre clientes, candidatos e equipes. O objetivo do treinamento é preparar o ambiente, não expor uma pessoa específica.

  2. BLOCO 2: SITUAÇÕES DO DIA A DIA

    Apresente exemplos:

    • Um colega solicita instruções por escrito
    • Uma profissional usa aparelho auditivo
    • Um trabalhador precisa de circulação livre
    • Uma pessoa autista pede antecipação de mudança na rotina
    • Um profissional mais velho solicita demonstração prática de um sistema

    Pergunte ao grupo:

    Qual é a barreira? O que pode ser ajustado?

  3. BLOCO 3: CINCO ATITUDES

    1. Fale com clareza
    2. Pergunte antes de ajudar
    3. Respeite a autonomia
    4. Não faça suposições
    5. Informe a liderança diante de uma barreira
  4. BLOCO 4: COMBINADOS

    Defina:

    • Quem recebe dúvidas
    • Como relatar discriminação
    • Como solicitar ajustes
    • Quando o treinamento será retomado

REGISTRO

Anote:

  • Data
  • Participantes
  • Conteúdo
  • Responsável
  • Dúvidas levantadas
  • Ações necessárias

Capítulo 13Desenvolvimento

Sugestão de foto: profissional com deficiência recebendo treinamento de barista

Desenvolvimento, retenção e pertencimento

Inclusão não termina na admissão. Um profissional precisa ter acesso a treinamento, feedback e oportunidade de crescimento.

Sugestão de foto: reunião curta de feedback entre líder e colaborador

ACOMPANHE

  • Participação em capacitações
  • Evolução nas atividades
  • Barreiras relatadas
  • Adequação dos recursos
  • Relacionamento com a equipe
  • Interesse em novas responsabilidades
  • Acesso a processos internos de promoção

FAÇA FEEDBACK ACESSÍVEL

Um bom feedback descreve:

  1. O comportamento observado
  2. O impacto na operação
  3. O que deve ser mantido ou ajustado
  4. O apoio disponível
  5. A data de acompanhamento

Em vez de: você precisa melhorar sua postura.

Prefira: nos três últimos fechamentos, dois itens do checklist ficaram sem marcação. Vamos revisar juntos a sequência e verificar se o formato do checklist está claro.

NÃO LIMITE A CARREIRA

Evite contratar pessoas com deficiência apenas para funções iniciais ou operacionais. O desempenho, a experiência e o interesse devem orientar o desenvolvimento.

CRIE CANAIS DE ESCUTA

O profissional deve saber:

  • Com quem conversar
  • Como pedir adaptação
  • Onde relatar discriminação
  • Como apresentar sugestões
  • Como participar de treinamentos

Capítulo 14Legislação

O que a legislação estabelece

LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO

A Lei nº 13.146/2015 assegura a inclusão da pessoa com deficiência no trabalho em igualdade de oportunidades. A legislação contempla acessibilidade, tecnologia assistiva, adaptação razoável e trabalho com apoio.

LEI DE COTAS

O artigo 93 da Lei nº 8.213/1991 estabelece reserva de cargos para beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência em empresas com 100 ou mais empregados:

  • De 100 a 200 empregados: 2%;
  • De 201 a 500: 3%;
  • De 501 a 1.000: 4%;
  • De 1.001 em diante: 5%.

Empresas com menos de 100 empregados também podem contratar pessoas com deficiência. A ausência de obrigação de cota não impede nem reduz a importância da contratação inclusiva.

PESSOAS COM TEA

A Lei nº 12.764/2012 considera a pessoa com Transtorno do Espectro Autista pessoa com deficiência para todos os efeitos legais e prevê o estímulo à sua inserção no mercado de trabalho.

NÃO DISCRIMINAÇÃO

A Lei Brasileira de Inclusão protege a igualdade e tipifica condutas discriminatórias relacionadas à deficiência. O processo seletivo, a contratação, a remuneração, o desenvolvimento e o desligamento devem respeitar esses direitos.

DADOS PESSOAIS

Currículos, contatos, informações profissionais e dados ligados à saúde exigem cuidado. Colete apenas o necessário, restrinja o acesso e evite compartilhar diagnósticos ou adaptações com quem não precise dessas informações.

Capítulo 15Plano de ação

Sugestão de foto: quadro de planejamento na parede da cozinha com tarefas da semana

Plano de ação de 30 dias

SEMANA 1: DIAGNÓSTICO

Entrega: ficha da função e lista inicial de barreiras.

SEMANA 2: RECRUTAMENTO

Entrega: anúncio inclusivo publicado.

SEMANA 3: SELEÇÃO

Entrega: ficha de avaliação preenchida.

SEMANA 4: INTEGRAÇÃO E TREINAMENTO

Entrega: plano de integração e registro do treinamento.

AO FINAL DOS 30 DIAS

Reúna liderança e colaborador para responder:

  • O que funcionou?
  • Que barreiras permanecem?
  • Que ajuste precisa ser feito?
  • O treinamento foi suficiente?
  • Qual será a próxima ação?

Capítulo 16Checklist

Checklist final

SUA EMPRESA ESTÁ PREPARADA?

0 de 30 itens

PLANEJAMENTO

DIVULGAÇÃO

SELEÇÃO

INTEGRAÇÃO

DESENVOLVIMENTO

GESTÃO

Sugestão de foto: equipe diversa reunida no salão ao fim do expediente, rindo

CONCLUSÃO

Incluir é abrir caminho para o talento.

A contratação inclusiva não depende de conhecer previamente todas as deficiências, condições ou formas de trabalhar.

Ela começa com atitudes concretas:

Ao organizar processos mais acessíveis, o estabelecimento amplia sua capacidade de encontrar profissionais, melhora a comunicação interna e fortalece uma cultura baseada em respeito e responsabilidade.

O objetivo não é criar uma operação paralela para determinados trabalhadores. É construir uma gestão suficientemente organizada para reconhecer que as pessoas aprendem, comunicam-se e executam tarefas de maneiras diferentes.

A inclusão efetiva acontece quando o profissional tem condições de entrar, permanecer, aprender, participar e crescer.

COMECE POR UMA VAGA

Escolha uma função, revise seus critérios e aplique o plano de 30 dias.

Uma empresa não precisa esperar estar perfeita para começar. Precisa estar disposta a observar, perguntar, corrigir e avançar.

Acesse outros materiais
como esse e soluções
para apoiar o seu negócio
no Conexão Abrasel

REFERÊNCIAS EDITORIAIS

  1. Pesquisa Radar da Inclusão 2025
  2. Relatório Radar da Inclusão 2025 (versão completa)
  3. TEA no trabalho
  4. Etarismo
  5. Planejamento da Cartilha de Acessibilidade – Contratação
  6. Cartilha Contrate Certo
  7. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015
  8. Leis – contratação da pessoa com deficiência
  9. Lei TEA
  10. Cartilha Acessibilidade e Inclusão – TJPR