Abrasel 40 anos

Mudanças climáticas e negócios resilientes

Planeta Terra com o Oceano Pacífico aquecido em vermelho e as Américas em destaque

Cartilha Abrasel

Mudanças climáticas e negócios resilientes

Como bares e restaurantes podem reduzir riscos, aproveitar oportunidades e fortalecer sua operação diante das mudanças climáticas

Começar a leitura

INTRODUÇÃO

Estar à frente de um negócio de alimentação fora do lar é uma decisão que demanda coragem. Gerir estes estabelecimentos é uma jornada complexa, intensa e cheia de desafios. A cabeça dos gestores se ocupa do fluxo de caixa, funcionários, clientes, fornecedores, equipamentos, compras e estoque, divulgação e preocupações que parecem infinitas.

Mas há uma questão, urgente, que já impacta e vai impactar de forma cada vez mais intensa a gestão de bares, lanchonetes e restaurantes e que ainda não está no horizonte da maioria dos empreendedores: as mudanças climáticas.

O clima interfere diretamente na rotina de um negócio do setor.

Chuvas intensas podem bloquear ruas, alagar estoques e afastar clientes

Sugestão de foto: rua alagada em frente a um restaurante, com água chegando à calçada

Secas podem reduzir a disponibilidade de água, baixar o nível dos rios e encarecer o transporte

Sugestão de foto: barco de carga encalhado em rio com nível baixo

O calor excessivo aumenta o esforço de geladeiras, freezers e sistemas de climatização, além de elevar o risco de perda de alimentos quando há falhas no fornecimento de energia

Sugestão de foto: cozinheiro abrindo um freezer em cozinha quente

Fornecedores também são afetados.

Alterações de chuva e temperatura impactam a agricultura, a pecuária e a logística, podendo modificar: a oferta, a qualidade, o prazo de entrega e o preço de hortaliças, frutas, grãos, pescados, carnes e outros produtos.

O comportamento do consumidor também muda e exige capacidade rápida de adaptação dos negócios.

Sugestão de foto: produtor rural entregando caixas de hortaliças na porta da cozinha de um restaurante

Essa publicação não tem a intenção de espalhar medo e incertezas.

Pelo contrário: ela foi pensada para apoiar você, que empreende ou trabalha no setor de alimentação fora do lar, a vencer desafios e aproveitar oportunidades que surgirão neste cenário.

Nas próximas páginas, você irá entender melhor o contexto das mudanças climáticas, como elas se relacionam com o setor, quais riscos exigem maior atenção e quais medidas práticas podem aumentar a capacidade de adaptação do seu negócio.

Também encontrará orientações para o planejamento da operação, materiais de apoio da Abrasel, recomendações específicas para cada região do país, estratégias de recuperação após eventos extremos e informações importantes sobre seguros, documentação e aspectos jurídicos relacionados ao tema.

É importante ressaltar que estas transformações que experimentaremos nos próximos meses não devem ser encaradas como um fenômeno isolado e restrito, por exemplo, ao Super El Niño. Elas farão parte das políticas públicas, do comportamento social, da segurança alimentar, da ciência, da educação e do empreendedorismo nos mais diversos setores nos anos e décadas que virão.

Sugestão de foto: jovem empreendedora planejando o futuro do negócio no balcão de um café, com caderno e celular, olhando pela janela

A primeira oportunidade que essa publicação apresenta, e você pode aproveitar imediatamente, é começar a pensar no assunto e trazê-lo para a gestão do seu negócio; planejar em vez de somente reagir. Boa leitura!

Capítulo 01Clima

Sugestão de foto: céu escuro de tempestade sobre a fachada de um bar com mesas na calçada

O que são mudanças climáticas?

As mudanças climáticas são transformações que vêm acontecendo no clima do planeta ao longo do tempo. Na prática, isso significa que temperaturas, chuvas, secas, ventos e outros fenômenos climáticos estão se comportando de maneira diferente do que era observado no passado.

Esses efeitos têm sido intensificados principalmente pelo aumento da emissão de gases de efeito estufa gerados por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento.

No dia a dia, essas mudanças podem aparecer de várias formas:

  • Ondas de calor mais intensas
  • Períodos de seca prolongada
  • Chuvas mais fortes
  • Enchentes
  • Incêndios florestais e outros eventos extremos
Sugestão de foto: rua de comércio alagada depois de um temporal, com bares fechados

Nem todas as regiões serão afetadas da mesma maneira, mas a tendência é que os impactos se tornem mais frequentes e tragam mais desafios para pessoas, cidades e negócios em todo o mundo.

Para bares, restaurantes e demais estabelecimentos de alimentação fora do lar, isso pode significar:

  • Aumento no preço de alimentos e bebidas
  • Dificuldades de abastecimento dos insumos
  • Interrupções de energia ou água
  • Alterações no comportamento dos clientes
  • Até a necessidade de interromper temporariamente as atividades

Por isso, entender essas mudanças e se preparar para elas é uma forma de proteger o negócio, reduzir prejuízos e aproveitar oportunidades de adaptação e inovação.

Sugestão de foto: gestor de restaurante conferindo a previsão do tempo no celular, no balcão

O QUE SÃO O EL NIÑO E O SUPER EL NIÑO

Você possivelmente já ouviu falar no El Niño, seja na rádio, nos jornais, na televisão ou nos livros. Mas sabe o que significa? Vamos explicar:

O El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando há uma elevação anormal da temperatura do Oceano Pacífico Equatorial e esse aquecimento interage com a atmosfera. Na prática, acontece quando há alteração na circulação dos ventos, no transporte de umidade, nas chuvas e nas temperaturas em diferentes partes do planeta. Normalmente tem como consequência áreas com seca acima da média e outras com aumento acentuado no volume de chuvas.

Dois exemplos recentes dos efeitos do El Niño no Brasil foram as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e a seca que atingiu a região Norte, afetando diretamente rios e seus afluentes, como os rios Amazonas e Madeira, em 2023.

Sugestão de foto: rua alagada no Rio Grande do Sul
Sugestão de foto: leito seco de rio na Amazônia
Foto: Carlos Fabal/AFP - 2024Foto: Defesa Civil/Envira/Divulgação - 2023

O “Super El Niño” é uma expressão popular usada para episódios excepcionalmente intensos, como os que estão previstos para o último trimestre de 2026.

CONTEXTUALIZAÇÃO DE 2026–2027

100%

A permanência do Super El Niño até pelo menos o início do próximo ano foi apontada com 100% de probabilidade no Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão oficial do governo brasileiro que monitora clima e tempo. O boletim também apontou alta probabilidade de um episódio muito forte entre a primavera e o verão. Isso é uma previsão probabilística, não uma garantia de que todos os impactos ocorrerão com a mesma intensidade.

Para o trimestre julho–agosto–setembro de 2026, foram observadas chuva abaixo da média em partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil. Em áreas do Sul e do Sudeste, a situação foi inversa: chuva e ventos acima da média para esse período do ano, intercaladas com ondas de calor excessivo no Sudeste.

RETRATO E PREVISÃO DE CADA REGIÃOJulho, agosto e setembro de 2026
NORTEChuva abaixo damédia em partes daregiãoNORDESTEChuva abaixo damédia em partes daregiãoCENTRO-OESTEChuva abaixo damédia em partes daregiãoSUDESTEChuva e ventosacima da média,intercaladas comondas de calorexcessivoSULChuva e ventosacima da média
  1. NorteChuva abaixo da média em partes da região
  2. NordesteChuva abaixo da média em partes da região
  3. Centro-OesteChuva abaixo da média em partes da região
  4. SudesteChuva e ventos acima da média, intercaladas com ondas de calor excessivo
  5. SulChuva e ventos acima da média

Já no período entre outubro e dezembro, a previsão indica a manutenção de um padrão típico de El Niño, com chuvas acima da média na região Sul e em áreas de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. No Nordeste e no Norte, bem como partes do Centro-Oeste e Sudeste, as chuvas devem ficar abaixo da média histórica. Os termômetros devem registrar temperaturas acima da média em grande parte do Brasil nestes meses.

RETRATO E PREVISÃO DE CADA REGIÃOOutubro, novembro e dezembro de 2026
NORTEChuvas abaixo damédia históricaNORDESTEChuvas abaixo damédia históricaCENTRO-OESTEChuvas abaixo damédia histórica empartes da regiãoSUDESTEChuvas abaixo damédia histórica empartes da regiãoSÃO PAULO E MATOGROSSO DO SULChuvas acima damédia em áreas deSP e MSSULChuvas acima damédia
  1. NorteChuvas abaixo da média histórica
  2. NordesteChuvas abaixo da média histórica
  3. Centro-OesteChuvas abaixo da média histórica em partes da região
  4. SudesteChuvas abaixo da média histórica em partes da região
  5. SulChuvas acima da média
  6. São Paulo e Mato Grosso do SulChuvas acima da média em áreas de SP e MS

Temperaturas acima da média em grande parte do Brasil

Capítulo 02Território

O impacto do El Niño não é igual para todos

Os mapas e as previsões climáticas ajudam a identificar tendências para grandes regiões, mas os efeitos do El Niño chegam de forma distinta em cada cidade, bairro e até mesmo em cada rua. Para quem administra um bar ou restaurante, entender essas diferenças regionais ajuda a preparar melhor o negócio para os possíveis impactos.

Sugestão de foto: dono de lanchonete de bairro na porta, em uma rua de periferia depois da chuva
Em locais que já enfrentam desafios relacionados à infraestrutura, os efeitos de chuvas intensas, períodos de seca ou ondas de calor podem ser ainda mais complexos.

Favelas, periferias urbanas, comunidades ribeirinhas e áreas rurais mais isoladas, por exemplo, costumam enfrentar dificuldades maiores no acesso à água e energia, ao saneamento, ao transporte, à limpeza urbana e a outros serviços essenciais – e isso se agrava durante eventos climáticos extremos.

Sugestão de foto: restaurante em comunidade ribeirinha, com a cozinha aberta para o rio

Especialmente nestes territórios, preparar-se para esse cenário exige muito planejamento de empreendedores, moradores, associação comunitária e poder público. Donos e gestores de bares, restaurantes, lanchonetes e padarias locais devem ficar muito atentos aos boletins da Defesa Civil.

É fundamental mapear riscos com antecedência, fortalecer redes de apoio e aumentar a capacidade de adaptação dos negócios.

Capítulo 03Impactos

Sugestão de foto: gerente de restaurante conferindo o estoque refrigerado com a equipe da cozinha

Como o fenômeno pode impactar o seu bar ou restaurante

O setor de alimentação fora do lar está bastante suscetível aos impactos das mudanças climáticas, seja em relação à disponibilidade e preço de alimentos, ao fornecimento de água e energia, à capacidade de entrega de fornecedores, aos riscos à infraestrutura, às mudanças no comportamento de consumo dos clientes, às ausências na equipe etc.

Isso não significa que não dê para se preparar para combater ou minimizar estes efeitos.

Pelo contrário, é possível agir para proteger pessoas e negócios e, até mesmo, contribuir para o retardamento dos avanços das mudanças climáticas no Brasil e no mundo.

Neste capítulo, preparamos um guia com dicas práticas para que você, gestor ou empreendedor do setor, possa se planejar melhor.

CUSTO E ACESSO A ALIMENTOS

Seca severa, excesso de chuva ou calor extremo podem:

  • Comprometer colheitas e qualidade de determinados alimentos
  • Impactar na logística de produtores e parceiros
  • Elevar perdas durante o transporte
  • Provocar oscilações de preço
  • Reduzir a regularidade de produtos sazonais
Sugestão de foto: feira ou central de abastecimento com caixas de tomate e hortaliças, comprador conferindo a qualidade e o preço

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

NA COZINHA

Desenvolver e experimentar um cardápio mais flexível, que permita substituições de insumos, sem comprometer a identidade do negócio.

NO CARDÁPIO

Não apresentar as substituições como “falta” aos clientes.

EVITE: “Hoje não temos o acompanhamento de chips de inhame”

PREFIRA: “Hoje temos como acompanhamento chips de abobrinha, que está na safra, mais fresca e saborosa”.

NA COMPRA

Acompanhar semanalmente preço, qualidade, prazo e disponibilidade dos ingredientes mais importantes do cardápio. Não esperar o produto faltar para buscar uma alternativa.

NO FORNECIMENTO

Mapear e testar fornecedores alternativos, especialmente de insumos-chave.

ÁGUA

A escassez ou interrupção no abastecimento de água pode:

  • Comprometer a higienização de utensílios, equipamentos e ambientes
  • Afetar o preparo de alimentos, bebidas e gelo
  • Dificultar a lavagem das mãos de funcionários e clientes
  • Prejudicar o funcionamento dos sanitários
  • Interromper parcial ou totalmente a operação do estabelecimento
Sugestão de foto: pia de cozinha industrial com torneira seca e louça acumulada

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

  • Monitorar os principais pontos de consumo e identificar desperdícios
  • Treinar a equipe para o uso eficiente da água
  • Verificar vazamentos e realizar inspeções periódicas
  • Adotar, sempre que possível, equipamentos que reduzam o consumo de água
  • Manter a caixa-d’água conservada, tampada e higienizada
  • Definir previamente quais atividades serão interrompidas em caso de falta de água
Sugestão de foto: funcionária fechando o registro de água e anotando a leitura do hidrômetro

ENERGIA E REFRIGERAÇÃO

O calor intenso e eventos climáticos extremos podem:

  • Sobrecarregar equipamentos de refrigeração e climatização
  • Provocar interrupções no fornecimento de energia
  • Comprometer a conservação segura dos alimentos
  • Aumentar perdas de produtos perecíveis
  • Interromper parcial ou totalmente a operação do estabelecimento
Sugestão de foto: cozinha de restaurante às escuras durante queda de energia, iluminada por lanternas

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

  • Monitorar e registrar regularmente as temperaturas dos equipamentos de refrigeração
  • Evitar abrir freezers, refrigeradores e câmaras frias durante quedas de energia
  • Definir critérios para descarte de alimentos com base no tempo e na temperatura de armazenamento
  • Estabelecer e treinar a equipe em protocolos para interrupções prolongadas de energia
  • Comunicar rapidamente clientes e fornecedores sobre impactos na operação
  • Registrar perdas para apoiar avaliações e decisões futuras
Sugestão de foto: gerente conferindo o termômetro de uma câmara fria com a prancheta na mão

EQUIPES E CLIENTES

Temporais, ventos fortes, alagamentos, incêndios e ondas de calor podem:

  • Colocar em risco a segurança de funcionários e clientes
  • Dificultar o deslocamento das equipes, especialmente no delivery
  • Provocar cancelamentos e redução do fluxo de clientes
  • Causar desconforto térmico em áreas internas e externas
  • Exigir mudanças rápidas na operação e nos horários de funcionamento
Sugestão de foto: entregador de delivery parado sob marquise esperando a chuva forte passar

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

  • Melhorar a climatização e o sombreamento de áreas internas e externas
  • Garantir ventilação adequada em cozinhas e áreas de trabalho
  • Organizar pausas adicionais para a equipe durante períodos de calor intenso
  • Evitar deslocamentos durante alertas climáticos severos e suspender o delivery quando necessário
  • Definir políticas para cancelamento de reservas e ajustes na operação
  • Comunicar rapidamente clientes e funcionários sobre mudanças de horário ou funcionamento
Sugestão de foto: atendente escrevendo aviso de horário especial na lousa da entrada

Capítulo 04Preparação

Sugestão de foto: dona de bar com a equipe revisando um plano escrito em folhas sobre o balcão

Como preparar o seu estabelecimento: um passo a passo

Até aqui, entendemos o que são as mudanças climáticas e o El Niño, a conexão destes fenômenos com o setor de alimentação fora do lar e os principais impactos para estes negócios.

Entendemos o cenário e agora vamos para um dos pontos mais importantes: como você se prepara para as mudanças climáticas? Fizemos um passo a passo bem prático para ajudar a criar um plano de contingência para o seu negócio. Confira!

Passo 1: Identifique os riscos locais

Esse passo é fundamental e só você saberá responder.

Antes de agir, é preciso entender quais eventos podem afetar o seu negócio. Verifique se o endereço do estabelecimento está localizado em áreas sujeitas a alagamentos, enchentes, deslizamentos, queimadas ou interrupções frequentes de energia e abastecimento de água.

Para isso:

  • Consulte os alertas e comunicados da Defesa Civil do seu município e estado
  • Verifique se a região já registrou ocorrências desses eventos nos últimos anos
  • Converse com moradores, comerciantes vizinhos e fornecedores locais sobre problemas recorrentes da área
  • Avalie se o estabelecimento já foi afetado por algum desses eventos anteriormente

Com essas informações, liste os riscos que têm maior probabilidade de impactar o seu negócio.

Sugestão de foto: empreendedor observando a rua e o escoamento da chuva em frente ao próprio bar

Passo 2: Cadastre-se nos alertas oficiais

A Defesa Civil disponibiliza alertas por SMS, WhatsApp, Telegram e outros canais. Para o SMS, envie o CEP da área de interesse para 40199.

Envie o CEP por SMS

Passo 3: Liste os itens que podem ser afetados no estoque

Inclua:

  • Água
  • Gelo
  • Gás
  • Carnes
  • Pescados
  • Hortaliças
  • Bebidas
  • Embalagens
Sugestão de foto: estoquista fazendo inventário nas prateleiras do estoque seco

Passo 4: Cadastre e teste fornecedores alternativos

Registre contato, rota, prazo, capacidade e condições sanitárias. Teste o fornecedor antes de acioná-lo em uma emergência.

Passo 5: Crie um cardápio de contingência

Selecione pratos com boa margem, menor dependência de produtos instáveis e execução simples. Ter isso definido traz agilidade de resposta em momentos críticos.

Passo 6: Revise os equipamentos

Realize manutenções periódicas de geladeiras, freezers, termômetros, geradores, coifas, ares-condicionados, fornos, calhas, bombas e instalações elétricas. Não esqueça também de revisar encanamentos, descargas, ralos, torneiras e caixas d’água.

Aqui cabe o ditado: melhor prevenir que remediar.

Sugestão de foto: técnico fazendo a manutenção do motor de uma geladeira comercial

Passo 7: Defina limites para funcionar

Estabeleça situações em que o negócio deve reduzir o cardápio, suspender delivery ou fechar temporariamente. Tenha os protocolos prontos e testados para agir rapidamente, quando necessário.

Passo 8: Treine a equipe

Prepare seu time para atuar em cenários desfavoráveis. Estabeleça e teste os protocolos para falta de água e/ou energia, atraso na entrega de fornecedores, falta de ingredientes, temporais e vendavais. Capacitar o time periodicamente para situações como essas é fundamental para agir de maneira rápida e eficiente, além de minimizar perdas e conflitos.

Sugestão de foto: gerente fazendo treinamento rápido com a equipe no salão antes da abertura

Passo 9: Comunique clientes e parceiros

Seja ágil e transparente ao informar parceiros e clientes sobre situações adversas como suspensão do delivery, cancelamento de reservas e até mesmo fechamento temporário. Use os canais mais apropriados, como redes sociais, aplicativos de mensagem, site ou telefone.

Sugestão de foto: atendente enviando mensagem para clientes pelo celular no caixa

Passo 10: Revise o plano mensalmente

Atualize contatos, previsão climática, estoque, rotas e situação financeira. O cenário muda e o plano de contingência do seu negócio precisa acompanhar.

QUATRO PLANOS QUE TODO ESTABELECIMENTO DEVE TER

Os 10 passos anteriores te ajudaram a entender o cenário do seu negócio. Agora você vai aprender quais planos precisa ter traçados para se preparar. Na seção Como a Abrasel pode te ajudar?, você encontra planilhas, documentos e cursos para te ajudar a ser mais eficiente em cada um deles.

Sugestão de foto: caixas de insumos sendo recebidas e conferidas na doca de um restaurante

PLANO 01

Abastecimento

Como vimos, mudanças climáticas podem afetar disponibilidade, preço e entrega de alimentos e insumos. Ter um plano de abastecimento é essencial para manter sua operação rodando. Faça uma relação de ingredientes críticos e possíveis substitutos, liste os fornecedores alternativos já testados e seus respectivos prazos de entrega e pagamento. O estoque deve estar organizado e com controle em dia para evitar falhas e desperdícios.

Sugestão de foto: quadro elétrico e caixa-d’água de um restaurante sendo inspecionados

PLANO 02

Água e energia

Água e energia são dois recursos essenciais para manter a operação de pé, mas que podem ter seu abastecimento comprometido em situações extremas ou manutenções das redes. Seu plano de ação deve conter contatos de manutenção; registros das inspeções periódicas; lista dos equipamentos prioritários, indicando o responsável por cada um deles; registros da falta de energia e/ou água (fotografias, vídeos e outras comprovações); critérios para redução do atendimento ou paralisação das atividades, se necessário.

Não se esqueça: sua equipe deve conhecer o plano e estar preparada para executá-lo. Agir rápido minimiza perdas de estoque, alinha expectativa com clientes e fornecedores, protege a equipe e o negócio.

PLANO 03

Pessoas e comunicação

Ter responsáveis para cada ação faz ainda mais diferença em momentos de crise. Converse com sua equipe e defina quem deve monitorar alertas e reportar situações que merecem atenção; quem fala com os clientes no caso de mudanças na operação; quem protege o estoque e controla o abastecimento. E, em último caso, quem decide interromper a operação.

Quando cada um sabe seu papel e todos sabem a quem recorrer em caso de dúvidas ou tomada de decisão, a capacidade de resposta é muito mais rápida.

Sugestão de foto: dona de restaurante revisando as contas no caixa com o notebook aberto

PLANO 04

Reserva financeira

Preparar-se para situações adversas passa também por planejar uma reserva financeira para emergências; avaliar, contratar e revisar seguros; projetar cenários de aumento de custos e queda de faturamento.

EVITE ESSES ERROS

ERRO 1CONFUNDIR PREVISÃO SAZONAL COM PREVISÃO DIÁRIA

Consequências
ConsequênciasDecisões precipitadas ou falta de reação diante de um alerta local.
Como evitar
Como evitarUse a previsão sazonal para planejamento a médio prazo (investimentos, compras etc.) e considere os avisos da defesa civil ou demais órgãos competentes para decisões operacionais do dia (prato do dia, horários de funcionamento, delivery, equipes etc.).

ERRO 2COMPRAR GRANDES VOLUMES SEM CAPACIDADE DE CONSERVAÇÃO

Consequência
ConsequênciaAumento de perdas e capital parado.
Como evitar
Como evitarConsidere validade, rotação, espaço refrigerado e risco de queda de energia.

ERRO 3DEPENDER DE UM ÚNICO FORNECEDOR

Consequência
ConsequênciaParalisação da operação quando uma rota é interrompida.
Como evitar
Como evitarMantenha alternativas previamente testadas.

ERRO 4FUNCIONAR SEM ÁGUA POTÁVEL SUFICIENTE

Consequência
ConsequênciaRisco sanitário para clientes e trabalhadores.
Como evitar
Como evitarDefina previamente quais atividades serão suspensas e quando o estabelecimento deve fechar.

ERRO 5REABRIR LOGO APÓS UMA ENCHENTE

Consequência
ConsequênciaContaminação por água, lama, esgoto, pragas ou instalações danificadas.
Como evitar
Como evitarFaça avaliação estrutural, elétrica e sanitária e siga a orientação das autoridades locais.

ERRO 6NÃO REGISTRAR TEMPERATURAS DURANTE UMA FALHA ELÉTRICA

Consequência
ConsequênciaImpossibilidade de avaliar a segurança dos alimentos.
Como evitar
Como evitarUse termômetros e fichas de controle, registrando horários e temperaturas.

ERRO 7ALTERAR O CARDÁPIO SEM RECALCULAR CUSTOS

Consequência
ConsequênciaVenda de pratos com margem insuficiente.
Como evitar
Como evitarAtualize ficha técnica, rendimento, preço e margem antes de lançar a substituição.

ERRO 8ESPERAR A EMERGÊNCIA PARA FALAR COM A EQUIPE

Consequência
ConsequênciaDecisões contraditórias e exposição desnecessária a riscos.
Como evitar
Como evitarDefina responsáveis, contatos e prioridades com antecedência. Treine a equipe.

CHECKLIST PRÁTICO

SEU ESTABELECIMENTO ESTÁ PREPARADO?

0 de 29 itens

MONITORAMENTO

ÁGUA E SEGURANÇA DOS ALIMENTOS

COMPRAS E ESTOQUE

ESTRUTURA

PESSOAS E COMUNICAÇÃO

TAREFAS PENDENTES

Copie as tarefas pendentes e se organize para que seu estabelecimento esteja bem preparado!

Capítulo 05Regiões

Orientações para cada região do Brasil

Embora algumas medidas sejam válidas para todo o país, os impactos do Super El Niño variam entre as regiões. Confira os cenários mais prováveis para sua localidade e as ações que podem ajudar seu estabelecimento a se preparar melhor.

Selecione sua região:

Região Norte

Na maior parte da Região Norte, especialmente na Amazônia, episódios fortes de El Niño estão historicamente associados a chuvas abaixo da média em diversas áreas, temperaturas elevadas, maior risco de incêndios e redução dos níveis de rios. A baixa dos rios pode prejudicar a navegação e o transporte de água, alimentos, combustíveis e outras mercadorias.

PRINCIPAIS RISCOS PARA O SETOR

  • Atraso de fornecedores que dependem de transporte fluvial
  • Irregularidade no abastecimento de pescados, hortaliças e bebidas
  • Elevação no valor dos fretes
  • Fumaça e baixa qualidade do ar
  • Maior deterioração de perecíveis durante o transporte
  • Redução do movimento turístico em localidades afetadas
  • Falta de água ou energia
Sugestão de foto: barcos de carga parados em um porto fluvial da Amazônia durante a seca

MEDIDAS PREVENTIVAS

Mapear a dependência dos rios

Identifique quais fornecedores, funcionários e rotas dependem de transporte fluvial.

Criar alternativas de abastecimento

Mantenha contatos com distribuidores que utilizem rotas diferentes e priorize compras planejadas de produtos não perecíveis.

Reduzir a complexidade do cardápio durante crises

Prepare uma versão do cardápio com menos ingredientes críticos e maior aproveitamento das matérias-primas disponíveis localmente.

Reforçar o recebimento de perecíveis

Meça a temperatura, avalie aparência, embalagem e tempo de transporte. Recuse produtos fora das condições de segurança.

Preparar o ambiente para fumaça e calor

Faça manutenção dos sistemas de ventilação e climatização, mantenha portas e janelas fechadas e estabeleça o uso de máscara quando houver recomendação oficial por fumaça intensa. Proteja equipe e clientes.

Reduzir riscos de incêndio

Mantenha áreas externas sem acúmulo de materiais combustíveis e redobre o controle de botijões, redes de gás, coifas e instalações elétricas.

Sugestão de foto: cozinheiro recebendo peixe fresco de um barqueiro no cais

EXEMPLO APLICADO

Um restaurante que recebe pescado por barco pode organizar fornecedores alternativos, congelamento planejado dentro dos padrões sanitários e pratos substitutos para os dias de atraso.

Região Nordeste

O El Niño costuma provocar redução das chuvas e temperaturas mais altas em partes do Nordeste, principalmente no norte da região e no Semiárido. A combinação de pouca chuva e maior evaporação pode pressionar o abastecimento hídrico, as pastagens e cultivos dependentes de chuva.

PRINCIPAIS RISCOS PARA O SETOR

  • Racionamento ou baixa pressão de água
  • Alta no custo de frutas, hortaliças, leite e carnes
  • Maior consumo de energia
  • Desconforto térmico
  • Aumento das perdas de perecíveis
  • Restrições à produção de gelo e bebidas
  • Incêndios em áreas de vegetação
Sugestão de foto: açude com nível baixo no Semiárido, com terra rachada nas margens

MEDIDAS PREVENTIVAS

Elaborar um plano de uso da água

Identifique consumos indispensáveis, corrija vazamentos e estabeleça processos que podem ser ajustados sem comprometer a higiene.

Conferir a autonomia do reservatório de água

Avalie quanto tempo o estabelecimento consegue funcionar com segurança, considerando cozinha, sanitários e lavagem das mãos.

Ter protocolo para interrupção da operação

Na ausência de água potável suficiente, suspenda os processos que não possam ser executados com segurança. Avalie interromper o funcionamento da casa se necessário.

Adaptar o cardápio à sazonalidade

Valorize ingredientes regionais que apresentem melhor disponibilidade e qualidade no período.

Reduzir carga térmica

Use sombreamento, ventilação e manutenção da climatização na cozinha, no salão e demais áreas. Programe recebimentos para os horários com temperaturas mais amenas, quando possível.

Monitorar gelo e bebidas

Confirme a procedência do gelo adquirido e não produza gelo com água de qualidade duvidosa.

Sugestão de foto: atendente de lanchonete servindo porções individuais embaladas no balcão

EXEMPLO APLICADO

Uma lanchonete pode substituir temporariamente preparações que exigem grande quantidade de lavagem por opções pré-porcionadas, sem abandonar os procedimentos de higiene.

Região Centro-Oeste

A relação entre El Niño e chuvas no Centro-Oeste é menos uniforme. Entretanto, há tendência de temperaturas mais altas, baixa umidade e maior risco de queimadas, especialmente na primavera. A distribuição das chuvas pode ser irregular no norte da região.

PRINCIPAIS RISCOS PARA O SETOR

  • Ondas de calor
  • Fumaça de queimadas
  • Sobrecarga de refrigeração e climatização
  • Menor vida útil de frutas e hortaliças
  • Atrasos em rodovias por fumaça ou incêndios
  • Aumento da demanda por água
  • Falhas de energia
Sugestão de foto: rodovia no Cerrado encoberta por fumaça de queimada, com caminhões parados

MEDIDAS PREVENTIVAS

Antecipar a manutenção elétrica

Verifique quadros, tomadas, cabos, coifas, ar-condicionado, refrigeradores e freezers.

Distribuir melhor os equipamentos

Evite fontes de calor próximas a refrigeradores e mantenha ventilação ao redor dos motores.

Controlar rigorosamente a temperatura

Aumente a frequência dos registros em períodos de calor extremo.

Proteger o estoque contra fumaça e poeira

Mantenha produtos embalados e áreas de armazenamento fechadas e limpas.

Planejar o funcionamento do delivery

Acompanhe bloqueios, incêndios e condições de visibilidade antes de autorizar entregas de delivery.

Preparar cardápios para dias muito quentes

Avalie pratos de menor carga térmica na cozinha e bebidas que possam ser produzidas sem comprometer o consumo responsável de água.

Sugestão de foto: restaurante de beira de estrada com caminhão de entrega estacionado em frente

EXEMPLO APLICADO

Um restaurante de estrada pode cadastrar rotas alternativas de entrega e estabelecer um ponto seguro de parada para mercadorias em caso de interdição.

Região Sudeste

No Sudeste, os efeitos podem variar entre diferentes áreas. Enquanto alguns locais podem enfrentar períodos mais quentes e secos, com impactos no abastecimento de água e aumento da demanda por energia para climatização, outros podem registrar chuvas intensas no verão, capazes de provocar alagamentos urbanos e interrupções no fornecimento de energia e no transporte.

PRINCIPAIS RISCOS PARA O SETOR

  • Ondas de calor e maior consumo elétrico
  • Interrupção de metrô, ônibus e vias
  • Alagamentos urbanos
  • Queda de energia
  • Avarias por granizo ou vendaval
  • Atraso de hortifrutigranjeiros
  • Perda de estoque em subsolos
Sugestão de foto: avenida alagada em uma capital do Sudeste, com ônibus atravessando a água

MEDIDAS PREVENTIVAS

Mapear os pontos de alagamento

Analise o entorno, as rotas dos funcionários, o acesso de entregadores e as entradas do imóvel.

Proteger o estoque

Evite alimentos, embalagens e produtos de limpeza diretamente no piso. Em áreas vulneráveis, coloque itens e equipamentos acima do nível histórico de inundação.

Revisar calhas, ralos e bombas

Faça a limpeza antes do período chuvoso e registre a manutenção.

Criar protocolo para falta de energia

Defina como preservar alimentos, comunicar clientes e interromper a produção com segurança.

Ajustar compras ao movimento

Use previsões e alertas para evitar excesso de produção em dias de tempestade ou calor extremo.

Informar o cliente

Comunique rapidamente alterações em reservas, delivery, retirada e horário de funcionamento.

Sugestão de foto: funcionários subindo caixas de mercadoria pela escada de um subsolo

EXEMPLO APLICADO

Um restaurante com estoque no subsolo pode transferir produtos perecíveis e documentos para áreas superiores quando houver alerta de chuva severa.

Região Sul

A Região Sul tende a registrar chuvas acima da média durante episódios de El Niño, com possibilidade de eventos extremos, ciclones, cheias, inundações e maior umidade. O excesso de chuva também pode prejudicar estradas, colheitas e qualidade de grãos.

PRINCIPAIS RISCOS PARA O SETOR

  • Enchentes, enxurradas, ciclones e deslizamentos
  • Interdição de rodovias e desabastecimento
  • Contaminação de alimentos e reservatórios
  • Cancelamento de eventos e reservas
  • Perda de equipamentos
  • Danos à estrutura
  • Falta de energia e internet
  • Umidade, mofo e pragas
Sugestão de foto: rua de comércio no Rio Grande do Sul tomada pela cheia, com a água na altura das portas

MEDIDAS PREVENTIVAS

Elaborar plano de inundação

Defina quando e como agir em situações de alagamento. Fique atento aos níveis de atenção, aos alertas, seja ágil na proteção do estoque e no fechamento, quando necessário.

Elevar equipamentos e insumos

Proteja motores, painéis elétricos, tomadas, documentos, embalagens e produtos perecíveis.

Conhecer a rota de saída

Todos os funcionários devem saber como deixar o local com segurança e orientar clientes, quando necessário. Nunca mantenha a operação aberta em área com ordem de evacuação.

Não utilizar alimentos atingidos pela enchente

Embalagens, utensílios, água e alimentos que tiveram contato com água de inundação devem ser avaliados conforme orientação da vigilância sanitária.

Controlar umidade e mofo

Depois do evento, seque e higienize completamente os ambientes antes de retomar a produção.

Diversificar fornecedores e rotas

Não concentre compras críticas em uma única região ou rodovia. Tenha fornecedores alternativos testados previamente.

Documentar os prejuízos

Fotografe danos, registre perdas e guarde notas fiscais para seguradoras, órgãos públicos e contabilidade.

Sugestão de foto: caixas plásticas etiquetadas empilhadas em prateleira alta de um restaurante

EXEMPLO APLICADO

Um restaurante próximo a um rio pode manter caixas plásticas identificadas para retirada rápida de documentos, equipamentos portáteis e itens essenciais.

MEDIDAS VÁLIDAS PARA TODAS AS REGIÕES

OBRIGATÓRIO

  • Cumprir as normas sanitárias aplicáveis ao estabelecimento
  • Utilizar água potável no preparo dos alimentos, na higienização e na produção de gelo
  • Manter controle de tempo e temperatura dos alimentos
  • Descartar alimentos que tenham perdido sua condição de segurança
  • Cumprir determinações da Defesa Civil, vigilância sanitária e demais autoridades locais

RECOMENDADO

  • Ter os planos de contingência do capítulo 04 impressos e conhecidos pela equipe
  • Cadastrar o estabelecimento para receber alertas oficiais da Defesa Civil do seu estado
  • Manter dois ou mais fornecedores para ingredientes críticos
  • Revisar seguros, contratos e responsabilidades
  • Fazer manutenção preventiva de equipamentos, rede elétrica e hidráulica
  • Criar cardápio alternativo para situações de falta ou aumento de preços

BOA PRÁTICA

  • Registrar ocorrências e custos causados pelo clima
  • Fotografar estoque e equipamentos antes e depois de um evento
  • Realizar simulações com a equipe
  • Negociar antecipadamente condições de entrega
  • Mapear rotas e pontos de alagamento próximos ao estabelecimento

O QUE FAZER APÓS UM EVENTO CLIMÁTICO EXTREMO?

PLANO DE RECUPERAÇÃO DO ESTABELECIMENTO

Após enchentes, queimadas, ondas de calor, falta de água, interrupções de energia ou outros eventos climáticos extremos, é importante avaliar as condições de segurança antes de retomar as atividades.

Sugestão de foto: técnico inspecionando o quadro elétrico e o registro de gás de um restaurante

Verifique a segurança das instalações e dos equipamentos

Inspecione estrutura do imóvel, instalações elétricas, sistemas de gás, abastecimento de água, equipamentos de refrigeração, climatização e demais aparelhos essenciais à operação. Não retome as atividades caso haja riscos à segurança.

Sugestão de foto: equipe removendo lama e higienizando o piso da cozinha com rodos e baldes

Realize a limpeza e a higienização do ambiente

Remova lama, resíduos, fuligem, poeira e outros materiais que possam comprometer as condições sanitárias do estabelecimento. Siga as orientações da vigilância sanitária e adote procedimentos adequados de limpeza e desinfecção antes da reabertura.

Sugestão de foto: funcionária coletando amostra de água da torneira da cozinha em um frasco

Avalie a qualidade da água

Confirme que a água utilizada no preparo de alimentos, higienização e produção de gelo está em condições adequadas de uso. Em caso de dúvidas sobre a potabilidade, consulte a companhia de saneamento ou a vigilância sanitária local.

Sugestão de foto: gerente separando alimentos e embalagens danificados para descarte no estoque

Revise estoques e descarte produtos inseguros

Inspecione alimentos, bebidas, embalagens e insumos que possam ter sido afetados por enchentes, calor excessivo, fumaça, interrupções de energia, falhas de refrigeração ou problemas no armazenamento. Quando houver dúvida sobre a segurança do produto, o descarte é a medida mais segura.

Sugestão de foto: comprador conversando por telefone com fornecedor, com notas de pedido na mão

Reavalie fornecedores e a cadeia de abastecimento

Confirme a disponibilidade de insumos, os prazos de entrega e as condições de transporte antes de retomar plenamente a operação. Verifique possíveis impactos em rodovias, hidrovias, sistemas logísticos e serviços essenciais.

Sugestão de foto: chef revisando o cardápio e a lista de compras no balcão da cozinha

Reorganize compras, estoque e produção

Ajuste o planejamento de compras e o cardápio à realidade do momento. Considere possíveis aumentos de preço, indisponibilidade de insumos e alterações na demanda dos clientes.

Sugestão de foto: gestora conversando com um colaborador no salão, em tom de acolhimento

Apoie colaboradores afetados

Lembre-se de que trabalhadores podem enfrentar dificuldades de deslocamento, problemas de saúde, perdas materiais ou interrupções de serviços essenciais em suas residências e comunidades. Sempre que possível, considere essas condições no planejamento da retomada.

Sugestão de foto: dono do restaurante fotografando danos no salão com o celular

Registre prejuízos e documente ocorrências

Fotografe danos, registre perdas de estoque, equipamentos e interrupções operacionais. Esses registros podem ser úteis para processos de seguro, pedidos de ressarcimento e revisão dos procedimentos internos.

Sugestão de foto: equipe reunida em volta de uma mesa revisando o plano de contingência impresso

Atualize o plano de contingência

Após a normalização da operação, avalie o que funcionou, quais dificuldades foram encontradas e quais melhorias podem ser implementadas. Incorporar os aprendizados ao plano de contingência aumenta a capacidade de resposta a futuros eventos climáticos.

ATENÇÕES ESPECÍFICAS POR TIPO DE EVENTO

Enchentes e alagamentos

  • Verifique possíveis contaminações por água, lama ou esgoto
  • Não utilize alimentos que tiveram contato com água de inundação
  • Controle a umidade e previna a formação de mofo antes da reabertura

Queimadas e fumaça intensa

  • Realize limpeza completa de áreas afetadas por fuligem
  • Avalie filtros, sistemas de ventilação e climatização
  • Descarte produtos contaminados por fumaça ou partículas

Seca e falta de água

  • Confirme a potabilidade da água disponível
  • Verifique a segurança da produção de gelo e da higienização
  • Revise procedimentos para funcionamento com abastecimento reduzido

Ondas de calor e falta de energia

  • Inspecione equipamentos de refrigeração
  • Avalie possíveis perdas decorrentes de falhas de temperatura
  • Reforce o monitoramento da segurança dos alimentos

Capítulo 06Jurídico

Sugestão de foto: dono de restaurante organizando documentos e notas fiscais numa pasta sobre a mesa do escritório

Orientações jurídicas

Após um evento climático extremo, o estabelecimento pode precisar tomar decisões que envolvem não apenas a recuperação do patrimônio, mas também o cumprimento de obrigações, a preservação de direitos e a comprovação dos impactos sofridos. Danos ao imóvel, equipamentos e estoque, interrupção das atividades, perda de mercadorias, problemas com serviços essenciais e outros prejuízos podem exigir providências junto a seguradoras, fornecedores, concessionárias, órgãos públicos e demais envolvidos.

Por isso, é importante registrar os impactos do evento, reunir documentos e conhecer as responsabilidades e os direitos aplicáveis a cada situação.

ÁGUA, ENERGIA E OUTROS SERVIÇOS ESSENCIAIS

Eventos climáticos extremos podem provocar interrupções no fornecimento de água, energia, internet e outros serviços essenciais para o funcionamento de bares e restaurantes.

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS

  • Registre imediatamente os protocolos de atendimento junto à concessionária responsável
  • Solicite informações sobre a causa da interrupção e previsão de normalização do serviço
  • Acompanhe os comunicados oficiais divulgados pelas empresas responsáveis pelos serviços afetados
  • Mantenha registro das datas e horários de interrupção e restabelecimento dos serviços
  • Avalie possíveis impactos operacionais e registre as medidas adotadas para reduzir prejuízos

QUAIS OBRIGAÇÕES PERMANECEM?

TRIBUTOS E OBRIGAÇÕES FISCAIS

A decretação de situação de emergência ou calamidade pública não suspende automaticamente impostos, parcelamentos, declarações ou demais obrigações fiscais.

Eventuais prorrogações de prazo, parcelamentos especiais ou medidas de alívio tributário dependem de atos normativos específicos dos órgãos competentes.

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS

  • Acompanhe comunicados da Receita Federal, estados e municípios
  • Consulte sua contabilidade sobre medidas excepcionais aplicáveis à sua localidade
  • Mantenha registros organizados dos prejuízos e da paralisação das atividades
  • Preserve documentos financeiros que possam ser necessários para comprovação dos impactos econômicos causados pelo evento climático

OBRIGAÇÕES SANITÁRIAS

  • Garantir água potável em quantidade suficiente para manipulação de alimentos, higienização e uso dos sanitários
  • Suspender atividades incompatíveis com a manutenção das condições mínimas de higiene e segurança dos alimentos
  • Verificar a qualidade da água antes de utilizar fontes alternativas de abastecimento
  • Consultar a Vigilância Sanitária local em situações prolongadas de interrupção do abastecimento ou suspeita de contaminação

CLIENTES E COLABORADORES

Eventos climáticos extremos podem exigir decisões rápidas para proteger pessoas e reduzir riscos à operação. A segurança de clientes, colaboradores e terceiros deve ser prioridade em situações que envolvam alagamentos, falta de energia, riscos elétricos, danos estruturais, incêndios, fumaça intensa ou outras condições que possam comprometer a integridade das pessoas.

EM RELAÇÃO AOS CLIENTES

  • Avalie a necessidade de restringir áreas afetadas por situações de risco
  • Interrompa o atendimento quando não for possível garantir condições adequadas de segurança
  • Comunique alterações de funcionamento com clareza e antecedência sempre que possível
  • Siga as orientações da Defesa Civil e demais autoridades competentes
  • Registre as medidas adotadas durante situações de emergência

EM RELAÇÃO AOS COLABORADORES

  • Considere situações de impossibilidade de deslocamento causadas por alagamentos, bloqueios de vias ou interrupções do transporte
  • Estabeleça canais rápidos de comunicação com as equipes durante situações de emergência
  • Planeje alternativas para reorganizar as atividades e as equipes diante de eventos extremos
  • Priorize a segurança das equipes e estabeleça critérios para suspender atividades ou adaptar a operação diante de situações de risco
  • Registre ocorrências e decisões relacionadas às ausências ou à reorganização das atividades

SEGUROS E PATRIMÔNIO

Após um evento climático extremo, a forma como o estabelecimento registra os danos e organiza a documentação pode fazer diferença na recuperação das perdas, no acionamento de seguros e em eventuais pedidos de ressarcimento.

Essa preparação não deve começar após a emergência. Quanto mais organizadas estiverem as informações do negócio, maiores serão as chances de uma recuperação mais rápida e da comprovação dos prejuízos.

CONHEÇA SUAS COBERTURAS

Um erro comum é presumir que qualquer prejuízo causado por eventos climáticos será automaticamente coberto pelo seguro.

A cobertura depende das condições previstas na apólice contratada. Dependendo do contrato, podem existir coberturas específicas para danos ao imóvel, equipamentos, estoques, mercadorias refrigeradas, interrupções nas atividades, eventos hidrológicos, fenômenos climáticos extremos, danos elétricos e outras perdas relacionadas à operação.

ORGANIZE A DOCUMENTAÇÃO DO ESTABELECIMENTO

Em situações de emergência, o acesso rápido a documentos essenciais facilita a tomada de decisões e a recuperação do negócio.

Mantenha uma pasta física em local protegido e/ou cópia digital contendo:

  • Apólices e contratos do seguro
  • Notas fiscais de equipamentos e bens relevantes
  • Documentos necessários para o funcionamento do estabelecimento
  • Inventários de estoque
  • Registros de manutenção
  • Contratos importantes
  • Contatos de fornecedores estratégicos e serviços de emergência

MONTE UM DOSSIÊ DO EVENTO

Quando ocorrer um evento climático extremo, reúna evidências dos impactos sofridos pelo estabelecimento.

Registre:

  • Fotos e vídeos dos danos
  • Inventário das perdas
  • Alertas emitidos por órgãos oficiais
  • Notas fiscais de equipamentos, mercadorias e insumos
  • Registros de temperatura e descarte de alimentos
  • Documentos relacionados ao seguro
  • Histórico de faturamento e registros financeiros, quando houver paralisação ou redução das atividades
  • Despesas emergenciais realizadas para reduzir danos ou proteger a operação
  • Laudos técnicos e relatórios de manutenção, quando aplicáveis

Esses registros podem ser importantes para acionar seguros, solicitar ressarcimentos e comprovar prejuízos decorrentes do evento.

SITUAÇÕES EM QUE PODE SER POSSÍVEL SOLICITAR INDENIZAÇÃO OU COBERTURA

Dependendo das circunstâncias, da documentação disponível e das coberturas contratadas, o estabelecimento pode buscar reparação de prejuízos decorrentes de eventos climáticos extremos.

Perda de estoque perecível após interrupção de energia ou água

Quando houver deterioração de alimentos e bebidas em razão da interrupção dos serviços, pode ser possível o ressarcimento dos prejuízos, desde que seja possível demonstrar a ocorrência da interrupção, as perdas sofridas e sua relação com o evento. Registros de temperatura, inventário de perdas, notas fiscais, protocolos de atendimento e documentos de descarte podem ser importantes nessa comprovação.

Paralisação das atividades do estabelecimento

Dependendo das coberturas contratadas, algumas apólices podem prever indenização por lucros cessantes ou interrupção dos negócios, cobrindo parte das perdas financeiras e despesas fixas durante o período em que o estabelecimento permaneceu sem operar. A análise costuma exigir documentação financeira e operacional que demonstre os impactos efetivos sobre o negócio.

RELAÇÕES TRABALHISTAS

Eventos como alagamentos, bloqueio de vias e interrupção do transporte público podem dificultar o deslocamento dos colaboradores e comprometer a operação de bares e restaurantes.

Nessas situações, é importante equilibrar a continuidade das atividades com a segurança das equipes, considerando as alternativas previstas na legislação trabalhista.

FALTAS POR INTERRUPÇÃO DO TRANSPORTE

Sugestão de foto: ponto de ônibus lotado em dia de chuva forte, com trabalhadores esperando

A ausência causada por alagamentos, interdição de vias ou interrupção do transporte público não está automaticamente entre as hipóteses de falta remunerada previstas em lei.

Na ausência de previsão legal, acordo coletivo, convenção coletiva, política interna ou decisão do empregador, o período não trabalhado poderá ser descontado.

O QUE A EMPRESA DEVE CONSIDERAR?

  • Avaliar cada situação individualmente
  • Verificar se houve impossibilidade real de deslocamento
  • Considerar riscos à integridade física do trabalhador
  • Priorizar o diálogo antes de aplicar descontos ou medidas disciplinares

BOA PRÁTICA RECOMENDADAEvite advertências ou suspensões quando houver impossibilidade comprovada de deslocamento ou risco relevante à segurança do empregado.

Capítulo 07Ação

Prepare o seu negócio antes do próximo alerta

Reúna sua equipe ainda nesta semana e execute três ações:

Clima extremo exige gestão preparada. Compartilhe esta cartilha com sua equipe e transforme prevenção em resiliência para o seu negócio.

Sugestão de foto: equipe de restaurante reunida no salão, com o céu limpo depois da chuva visto pela janela

CONCLUSÃO

O El Niño pode afetar bares e restaurantes de formas diferentes.

O estabelecimento não controla o clima, mas pode controlar sua preparação.

Monitoramento, segurança dos alimentos, fornecedores alternativos, manutenção preventiva, cardápio flexível e comunicação rápida reduzem perdas e ajudam o negócio a voltar a operar mais cedo.

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MATERIAIS DE APOIO

Como a Abrasel pode te ajudar?

Para apoiar você na preparação e adaptação do seu negócio aos desafios climáticos, reunimos nesta seção materiais educativos e conteúdos de apoio desenvolvidos especialmente para quem empreende na alimentação fora do lar. Os recursos estão organizados em 12 eixos relacionados aos impactos do El Niño no setor, facilitando a busca por informações, ferramentas e soluções úteis para o dia a dia do seu bar, restaurante ou lanchonete.

Eficiência Energética

Estratégias para reduzir o consumo de energia, aumentar a eficiência operacional e preparar o negócio para possíveis falhas no fornecimento elétrico.

Eficiência Hídrica e Cuidados com a Água

Boas práticas para o uso racional da água, redução do desperdício e adaptação a cenários de escassez hídrica.

Compras e Gestão de Estoque

Ferramentas e orientações para planejar compras, controlar estoques e minimizar perdas de insumos.

Relação com Fornecedores

Conteúdos sobre negociação, gestão de fornecedores e construção de cadeias de abastecimento mais resilientes e sustentáveis.

Contratação de Trabalhadores Intermitentes

Informações e modelos de apoio para a contratação e gestão de mão de obra intermitente.

Vendas por Delivery e Outros Canais

Materiais relacionados à diversificação das vendas por meio de delivery, marketplaces, WhatsApp, telefone e outros canais digitais.

Segurança e Manipulação de Alimentos

Boas práticas para recebimento, armazenamento e manipulação de alimentos, garantindo segurança e qualidade.

Aproveitamento Integral de Alimentos

Estratégias para reduzir desperdícios, melhorar o aproveitamento dos insumos e aumentar a eficiência produtiva.

Alimentos Sazonais e Engenharia de Cardápio

Conteúdos para apoiar a adaptação dos cardápios à sazonalidade dos alimentos e às oscilações de oferta e preço.

Saúde, Segurança e Bem-Estar dos Trabalhadores

Materiais voltados à saúde ocupacional, segurança do trabalho e conformidade com a legislação trabalhista.

Infraestrutura e Manutenção Preventiva

Orientações para prevenção de riscos e manutenção das instalações de estabelecimentos.

Gestão financeira

Planejamento financeiro, controle de custos e formação de reservas para situações de emergência.

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REFERÊNCIAS EDITORIAIS

  1. Painel El Niño 2026–2027 — Boletim Mensal nº 1Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto Nacional de Meteorologia, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional · junho de 2026
  2. Painel El Niño 2026–2027 — Boletim Mensal nº 2Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto Nacional de Meteorologia, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional · julho de 2026
  3. Painel El Niño 2026–2027 — Boletim Mensal nº 3Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto Nacional de Meteorologia, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional · agosto de 2026
  4. Painel El Niño 2026–2027 — Boletim Mensal nº 4Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto Nacional de Meteorologia, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional · setembro de 2026
  5. Nota Técnica — El Niño 2026INPE, INMET, Funceme e Censipam · abril de 2026
  6. Uma dose de ciência contra o sensacionalismo: El Niño 2026–2027Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais · maio de 2026, atualizado em julho de 2026
  7. El Niño está de voltaInstituto Nacional de Meteorologia · junho de 2026
  8. Julho: como será o clima no Brasil?Instituto Nacional de Meteorologia · julho de 2026
  9. El Niño e possíveis impactos na agriculturaInstituto Nacional de Meteorologia · 2026
  10. Cartilha sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação — RDC nº 216/2004Agência Nacional de Vigilância Sanitária
  11. Solicitar o recebimento de avisos e alertas da Defesa CivilMinistério da Integração e do Desenvolvimento Regional